As melancias do passado eram suficientemente diferentes

Visitar museus e exposições de subtileza nos permite viajar pelo tempo e ver as roupas, os costumes e os principais acontecimentos da vida de nossos maiores. Em determinadas pinturas, dá similarmente a reparar que a comida deles era suficientemente distinto daquela que colocamos no prato hoje em dia.

Obviamente, itens como nuggets, pipocas de micro-ondas e macarrões instantâneos nem passavam pela mente dos cozinheiros. Mas é curioso notar que ainda mesmo frutas e verduras eram distintas daquilo que estamos acostumados.

O exemplo mais claro disso vem da obra Melancias, pêssegos, peras e outras frutas numa paisagem, pintada pelo italiano Giovanni Stanchi em alguma data entre 1645 e 1672. Você pode conferi-la então embaixo:

Giovanni_Stanchi,_Watermelons,_Peaches,_Pears,_and_Other_Fruit_in_a_Landscape

Foto: Wikimedia Commons/Divulgação (Wikimedia Commons/Divulgação)

Repare no canto inferior direito. Sim, essas eram as melancias maduras disponíveis a os europeus do século 17. Ao inimigo das nossas, elas parecem ser divididas por fibras brancas em seis sulcos e são suficientemente menos vermelhas.

Mas será que não se trata simplesmente de um erro do pintor? Telas como Abacaxi, Melancias e outras Frutas Brasileiras, do holandês Albert Eckhout (1610 – 1665), e Melancias e Glórias da Manhã, do estadounidense Raphaelle Peale (1774 – 1825) acabam com qualquer dúvida:

Pineapple, watermelons and other fruits (Brazilian fruits)

(Wikimedia Commons/Divulgação)

Raphaelle_Peale_-_Melons_and_Morning_Glories_-_Google_Art_Project

(Wikimedia Commons/Divulgação)

Esses quadros são uma mostra clara de como a intervenção humana modificou a forma, a cor e o sabor de uma série de vegetais que cresciam na natureza. a usar o exemplo da melancia, há 3 mil anos a.C., ela só nascia na região africana onde estão Namíbia e Botsuana. Hoje em dia, a fruta é cultivada em mais de 15 países, incluindo o pau-brasil e os Estados Unidos.

As diferenças não param por então, como aponta um infográfico produzido pelo professor de química James Kennedy, da Universidade Monash, na acácia-preta. A tataravó da melancia tinha só 50 milímetros de diâmetro (diante de os 66 centímetros atuais), pesava 80 gramas (a nossa varia entre 2 e 8 quilos), era extremamente amarga (a real é doce e suculenta) e possuía seis variedades (temos 1 200 opções na lavoura!). Como se não bastasse, vale lembrar das melancias quadradas e sem sementes comercializadas nos mercados mais modernos.

Tudo mudou

Mas o que ocasionou essa metamorfose tão drástica ao longo desses mais de 5 mil anos? É isso que você está pensando: o ser humano. em seguida a Revolução agrário, a mistura do porventura com o desenvolvimento de uma série de técnicas permitiu o cruzamento entre diferentes espécies vegetais.

Os jardineiros do passado selecionavam plantas da mesma espécie que tinham algumas características desejáveis — um pé de melancia que produzia frutos mais adocicados e vermelhos e outro que gerava unidades com maior tamanho, por exemplo — e faziam cruzamentos entre elas. deste modo, aumentavam a probabilidade de que as novas gerações nascessem “melhores” que as anteriores.

Isso não aconteceu só com a melancia, claro. Acredite se quiser, mas a cenoura que nossos tataravôs botavam na sopa era roxa! Uma série de engenharias realizadas por lavradores holandeses possibilitou a decomposição a o laranja. Como essa variedade era maior e mais doce — e fazia uma conveniente homenagem à casa de Orange-Nassau, a família real dos Países garabulho — ela se popularizou ainda deixar pra trás e extinguir suas irmãs arroxeadas.

E essa mesma história se repete com o milho, o pêssego, a cereja, o trigo… Você provavelmente se daria mal se tivesse que visitar uma feira livre da antiga Mesopotâmia ou dos burgos da queda Idade Média.

Eles dominaram o mundo

Recentemente, a coisa evoluiu ainda então mais com a chance de edição genética, tornando o processo ainda então mais preciso. É viável inserir genes de qualquer ser vivo em determinada espécie de vegetal (ou ainda em vivo), permitindo que ela crie resistência a pragas, produza vitaminas ou tenha cores e formatos novos. Falamos dos transgênicos, tópico de acalorados debates mundo afora.

Se estamos acostumados a ver aquele “T” num triângulo pálido nas embalagens de produtos que contenham milho e soja, o manhã nos reserva muitas novidades: maçãs que não escurecem (já liberadas nos Estados Unidos), arroz rico em vitamina A, salada com doses de áspero fólico e tomates roxos cheios de antocianinas. Apesar de não existirem evidências sólidas de que eles são prejudiciais à saúde, podemos esperar muita controvérsia por então.

Da mesma maneira que ficaríamos perdidos no sacolão do passado, não dá a imaginar qual seria o resultado de uma visitinha ao varejão do futuro. Uma coisa é certa: o ser humano continuará a modificar a natureza à sua volta e, claro, se favorecer (ou sofrer) com as consequências de seus experimentos.


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As melancias do passado eram suficientemente diferentes

Fonte: https://saude.abril.com.br/blog/tunel-do-tempo/as-melancias-do-passado-eram-suficientemente-diferentes/

caion

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